Carne Fraca: investigação de frigoríficos deve ser rigorosa, mas economia deve ser preservada

Brasília, 23/03/2017 – O senador Paulo Bauer (PSDB/SC) ocupou a tribuna do Senado nesta semana para defender as investigações da Operação Carne Fraca, mas também para alertar sobre os riscos de o Brasil perder mercado no exterior por causa de uma ação que mirou “pouco mais de 20 frigoríficos num universo de 4.800”. Bauer disse que a Operação precisa seguir com as investigações e punir os responsáveis, mas a divulgação das ações e efetivo empregado pela Polícia Federal foi desproporcional aos fatos.

“Os reflexos do efeito midiático da medida, aliados ao exagero de informações não confirmadas, trarão no curtíssimo prazo prejuízos enormes para a economia brasileira, sem contar os reflexos em outros segmentos”, analisou o parlamentar catarinense.

O senador lembrou que Santa Catarina pode ser especialmente prejudicada, já que a perda de mercado vai atingir empresas que não têm nada a ver com a Operação. Isso, enumerou Bauer, vai acarretar em desemprego e queda de renda.

“Tudo indica que, com sua ação, a Polícia Federal tenha mirado num alvo, mas derrubado rebanhos inteiros”, comparou o senador tucano.

A Operação Carne Fraca colocou na rua cerca de 1,1 mil policiais federais para cumprir os mandados de prisão, condução coercitiva e de busca. Segundo a própria PF, esta foi a maior operação da história do órgão.

Potência Global – Segundo dados do Governo Federal, o setor emprega seis milhões de pessoas. Em 2016, foram exportados US$ 13,7 bilhões em produtos, o terceiro maior item da pauta exportadora do Brasil.

Dados do governo dos Estados Unidos apontam que o Brasil responde por 38% da produção mundial de carne de frango, 20% de bovina e 10% de suína. A queda estimada pelo Ministério da Agricultura como efeito da Operação Carne Fraca deverá ser da ordem de 15% nos embarques e de até 20% nos preços. Os dados fazem do Brasil uma potência mundial no setor.

Ao longo da semana, países como China, Chile, Arábia Saudita e Egito, além do bloco da União Europeia, anunciaram restrições ou a suspensão das importações de carnes brasileiras. O movimento diário do setor que até a segunda, dia 20, era de US$ 63 milhões, caiu para R$ 78 mil na quarta-feira, dia 22. O Ministério da Agricultura na tentativa de reduzir os danos ao país, suspendeu as licenças de exportação dos 21 frigoríficos apontados pela Operação Carne Fraca.

Combate à corrupção – Apesar dos efeitos econômicos, o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer, afirmou que o trabalho da PF e do Ministério Público para barrar um esquema criminoso é positivo, já que envolve também questões de saúde pública.

“O conluio entre fiscais do Ministério da Agricultura e alguns frigoríficos para tapar os olhos a todo tipo de falcatruas na produção de carnes, permitindo que produto impróprio para consumo chegasse à mesa, deve ser realmente punido com máximo rigor. Afinal, o que está em risco é a saúde pública e a segurança alimentar de milhares – quiçá milhões – de consumidores”, afirmou Bauer.

A Operação, de acordo com o senador tucano, desvendou mais um caso de relação promíscua e de ocupação da máquina pública brasileira para satisfazer o apetite de partidos políticos por suborno e propinas.

“Esta demonstra ser a doença mais disseminada no aparato estatal do país depois da passagem da praga de gafanhotos que foram os governos petistas. Não dá para continuar sendo assim. O aparelhamento da máquina foi ilimitado. Chegou ao departamento que fiscaliza os produtos que são colocados nas mesas de famílias e dos consumidores brasileiros”, acrescentou o parlamentar.

Paulo Bauer chamou a atenção ainda para a necessidade de aperfeiçoamento do sistema de fiscalização sanitária.

“É desejável, sim, que o sistema de fiscalização da sanidade dos frigoríficos nacionais melhore. Em particular, o esdrúxulo modelo em que as empresas fiscalizadas bancam, de forma legal e oficial, profissionais que devem responder pela sua própria fiscalização não pode mais existir. As medidas profiláticas e localizadas adotadas na segunda-feira pelo governo brasileiro às exportações também deveriam valer para o que é comercializado internamente, para que não pairem quaisquer suspeitas em relação à qualidade da carne produzida no país, em geral de excelente padrão”, finalizou o senador.

(Da Assessoria de Comunicação, Jefferson Dalmoro)

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